Eu lhe dei a mão. Ela me dizia para esquecer a vida que me fez sofrer por semanas que pareciam meses infindáveis. Sorrimos e íamos para nossa nova casa. Era um condomínio de prédios e estávamos num grande pátio que distribuía para aqueles arranha-céus de alto nível. Minha querida companheira dizia que sua mãe havia comprado um daqueles suntuosos apartamentos e nos havia dado como presente de casamento. Nesse meio tempo, um beijo tomou conta de nossos pensamentos e terminou em um dos mais românticos sorrisos de um casal apaixonado.
Entramos. O apartamento era grande. A sala era de cor pastel e comprida e possuía quadros nas paredes de natureza morta. A sacada mostrava ao longe um grande prédio escuro de uma grande corporação. O edifício tinha um formato futurista, como uma grande letra "f" invertida como num espelho e a haste inferior desse "f" girava lentamente.
Sentamos para assistir televisão. Um programa passava sobre o que fazer em caso de incêndio em edifícios. Bombeiros corriam de um lado a outro e pessoas coletavam os mortos. Ou semi-mortos. Com corpos em carrinhos-de-mão, jogavam-nos em uma piscina na qual boiavam ainda vivos, tendo espasmos frenéticos até se afogarem. olhávamos perplexos a cena deveras dantesca.
Num passe de mágica acordo e vejo entre os corpos minha amada. Eu sentado com ela em meus braços, ambos chamuscados. Meus prantos ecoavam pela região. Gritava seu nome e chorava.
Acordei, era de manhã e a realidade me parecia sentir que o sono era a melhor opção...
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