terça-feira, 7 de abril de 2009

Carta a um incauto

Compreende tu, nobre transeunte a importância de se observar as estrelas? Note que a abóbada celeste passa por nossa ignóbias cabeças sem qualquer cerimônia e muta "a priori" sem que percebamos, porque nossa visão não percebe a profusão de acontecimentos do Universo. Poderia hoje um feixe de raios gama atingir em cheio nosso inocente planeta e pulverizar a vida na Terra e nem notarmos, sendo carbonizados e pulverizados da história sem saber se o Universo está expandindo e do que é feita a matéria escura.

Neste momento em que lê esta carta um meteoro respinga em nossa atmosfera e nada nos acontece. A Terra se carrega de mais matéria e sua densidade aumenta. O Sol passeia pelo braço de Morfeu juntamente com suas irmãs, sentindo o peso da idade para um dia consumir os seus três filhos de alta densidade e acabar fria e de brilho modesto.

Neste momento, coloco-me a divagar sobre como a vida continuará. O que acontecerá em tempos que serão o passado em instantes e é futuro e presente simultaneamente, para depois se tornar passado e se acumular na relatividade do tempo-espaço. Com certeza posso apostar que um alelo novo foi criado em alguma parte desse planeta e seu destino é conseguir se perpetuar. Deve ele ter surgido em alguma célula germinativa e terá de estar naquele espermatozóide que fecundará um óvulo qualquer e que ambos devem estar viáveis e a santa mão da recombinação possibilite que o ser que surgirá tenha as graças da seleção natural e fazer parte da seleta lista de genes de sucesso. Caso contrário, morrerá no esquecimento junto à infinita e imemoriável lista de acasos da evolução já esquecida pelo tempo.

Mas de tudo isso o tempo sempre segue. Segue ateleologicamente o seu caminho e não nos preocupamos com ele, mas o que ele nos oferece diante da nossa mente tão finita para a complexidade das coisas e tão maravilhosa ao mesmo tempo pela sua dinâmica aparentemente tão única do Universo conhecido.

Mas pense, traunseunte incauto: a vida é um castelo no alto de uma montanha, que esconde uma vela acesa em seu interior. Dependendo do seu ponto de vista, a luz estará lá e não estará. Não é a caixa de Schrödinger, mas meu castelo de janelas fechadas.

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